Estudo · 2002 → 2026 · só com fonte oficial
Em 2002, o Brasil era mais rico que a China, a Índia, a Turquia, o Panamá e a República Dominicana. Vinte e dois anos depois, três deles já passaram na frente e os outros correm o dobro. Este estudo mede a distância entre o país que temos e o país que o mesmo dinheiro, aplicado onde devia, teria construído: em renda, em vidas e em competitividade.
Ver a conta completa ↓PIB per capita por paridade de poder de compra (dólares constantes), com 2002 = 100. Cada linha é um país. A linha dourada é o Brasil. As verdes eram mais pobres que o Brasil em 2002.
Fonte: Banco Mundial, indicador NY.GDP.PCAP.PP.KD (PIB per capita, PPP, US$ internacionais constantes de 2021), 2002–2024, lido em 24/10/2026. Leitura: o Brasil cresceu 38% em 22 anos. A mediana dos outros 19 países cresceu 114%. Só o México (+11%) e a África do Sul (+16%) andaram menos.
PIB per capita PPP, 2002 → 2024 (US$)
Quantas vezes o PIB per capita cresceu, 2002 → 2024
Se o Brasil tivesse crescido como a mediana dos 19 países comparáveis, não como o melhor, só como o do meio, onde estaria hoje?
Método: a linha "Brasil esperado" aplica, ano a ano, a mediana do índice de crescimento dos 19 países ao valor do Brasil em 2002. Não é projeção de ninguém: é o que a trajetória do país mediano teria produzido com a renda que já tínhamos. Fonte: Banco Mundial, cálculo próprio sobre a série acima.
A FIESP estimou o custo médio anual da corrupção em 1,38% a 2,3% do PIB (R$ 41,5 bi a R$ 69 bi em valores de 2008). A ONU, citada pelo TCU, fala em R$ 200 bilhões por ano. O FMI calculou que o Brasil seria até 30% mais rico com instituições menos corruptas.
Aritmética simples, sem modelo: 1,38% do PIB por ano, por 24 anos, soma um terço de um PIB inteiro; a 2,3%, mais da metade. O gasto público em saúde é de 3,8% a 4,2% do PIB (IBGE/Banco Mundial): o piso da corrupção equivale a um terço do SUS, todo ano.
O Brasil investe 2,2% do PIB em infraestrutura (média 2001–2012: 2,19%; 2024: 2,27%, e só 0,67% público). A necessidade estimada é de 4% a 4,5% do PIB (Inter.B/Frischtak). A diferença, cerca de 2% do PIB, é quase exatamente o custo da corrupção.
Saneamento (SNIS 2022): 90 milhões de brasileiros sem coleta de esgoto, 32 milhões sem água tratada, 52% do esgoto tratado.
Aqui a conta deixa de ser dinheiro. São mortes registradas pelo Ministério da Saúde, comparadas com o que países parecidos conseguiram.
Fonte: Mapa da Violência 2014 (2002–2012) e Atlas da Violência 2025, Ipea/FBSP (2013–2023), dados do SIM/MS. Pico em 2017: 65.602. Menor taxa da série em 2023: 21,2 por 100 mil.
Fonte: Banco Mundial (UNODC), VC.IHR.PSRC.P5, por 100 mil habitantes. A Colômbia saiu de quase 70 para a casa de 25; o Brasil oscilou entre 21 e 32 por duas décadas.
Fonte: Banco Mundial, SH.DYN.MORT (por mil nascidos vivos). O Brasil caiu de 31,7 para 14,2; Chile, Coreia e Polônia estão abaixo de 7. Fonte IBGE: mortalidade infantil 28,1 (2000) → 12,3 (2024).
Fonte: Banco Mundial, SP.DYN.LE00.IN. Brasil: 71,0 (2002) → 75,9 (2024). Chile e Coreia ganharam a mesma distância partindo de muito mais alto.
Sobre "mortes evitáveis": o Ministério da Saúde mantém a Lista Brasileira de Causas de Mortes Evitáveis, isto é, mortes que serviços de saúde efetivos teriam evitado no todo ou em parte. O último estudo completo (Malta et al., Rev. Bras. Epidemiol. 2018) contou 431.930 mortes evitáveis em um único ano (2013), 73,4% de todas as mortes entre 5 e 69 anos. Mortes por doenças ligadas à falta de saneamento: 11.956 (2008), 9.367 (2021), 11.544 (2023), segundo o Instituto Trata Brasil com dados do SIM.
Por que o produto brasileiro chega mais caro lá fora e perde mercado mesmo quando é bom.
O mesmo país, 27 velocidades. PIB per capita em relação à média do Brasil, IDHM, homicídios e expectativa de vida. Toque no cabeçalho para ordenar.
Fontes: IBGE, Contas Regionais 2023 (PIB per capita e razão UF/Brasil, 2002 e 2023); PNUD/Atlas Brasil (IDHM censitário 2000 e 2010; IDHM anual por PNAD 2012, 2021 e 2024, metodologia distinta, não comparável com a censitária); Atlas da Violência 2016 e 2026, Ipea/FBSP (homicídios por 100 mil, 2004 e 2024); IBGE, tábuas de mortalidade (expectativa de vida 2002 e 2024; a de 2024 vem da Revisão 2024 e RS e RN não constam). Razão UF/BR: 1,00 = igual à média nacional.
Crescimento do PIB, inflação e dívida bruta, com o governo de cada ano. Verde é bom, vermelho é ruim. Os números não escolhem lado.
Fontes: PIB: IBGE, série SGS 7326 do Banco Central (2025 divulgado em 03/03/2026). IPCA: IBGE, acumulado em dezembro (SGS 13522). Dívida bruta do governo geral: BCB, SGS 13762 (metodologia de 2008; anos sem dado na série ficam em branco). Homicídios: Mapa/Atlas da Violência. Cores: PIB verde acima de 3%, vermelho abaixo de 1%; IPCA verde até 4,5% (teto da meta na maior parte do período), vermelho acima de 6,5%; dívida verde abaixo de 60%, vermelho acima de 75%; homicídios verde abaixo de 50 mil, vermelho acima de 58 mil. Contexto que o leitor precisa saber: 2009 teve a crise financeira global, 2015–2016 a maior recessão da série (−7,2% em dois anos, IBGE) e 2020 a pandemia.
Regras que este estudo seguiu: nenhum número sem fonte, ano e link; onde há estimativa, aparece a faixa e o método; divergência entre fontes é mostrada, não escondida.
Fatos: todas as séries de PIB, expectativa de vida, mortalidade, homicídios, inflação, dívida, investimento, custo logístico e rankings são de órgãos oficiais ou estudos publicados, listados abaixo.
Contas deste estudo, marcadas como tal: (a) o "Brasil esperado" = renda de 2002 × mediana do índice de crescimento dos 19 países; (b) a soma acumulada de homicídios e de mortes no trânsito, que é a soma simples das séries oficiais; (c) o "custo em anos de SUS", que divide o piso FIESP (1,38% do PIB) pelo gasto público em saúde (3,8%–4,2% do PIB); (d) as mortes "a mais" por homicídio em relação ao Chile, que aplicam a diferença de taxas à população brasileira de 2021 (IBGE, 213,3 milhões).
O que não dá para afirmar: quantas mortes a corrupção causou. O que dá para mostrar é quanto dinheiro saiu, quanto faltou onde salva vidas, e quantas vidas países parecidos pouparam no mesmo período.